Bruno Bioni conecta o legado de Doneda à agenda atual em sessão especial do Senado Federal em celebração ao primeiro Dia Nacional de Proteção de Dados

09 | setembro | 2026 09 | 09 | 2026 Publicações Destaques na Home

Em sessão especial do Senado Federal em celebração ao primeiro Dia Nacional de Proteção de Dados, instituído em homenagem ao jurista Danilo Doneda, Bruno Bioni conecta o legado do professor à agenda atual: como construir um estatuto jurídico da informação que produza justiça.

Realizada em 10 de agosto e presidida pelo senador Eduardo Gomes (PL-TO), a sessão celebrou o primeiro Dia Nacional de Proteção de Dados, instituído pela Lei 15.254, de 2025, e comemorado em 17 de julho em homenagem ao jurista Danilo Doneda. 

Participaram, entre outros, o diretor-presidente da ANPD, Waldemar Gonçalves Ortunho Junior; a professora Laura Schertel Mendes; o secretário nacional de Direitos Digitais, Victor Oliveira Fernandes; o conselheiro do CNJ Rodrigo Badarô Almeida Castro; Adriano Doneda, filho do homenageado; João Caldeira Brant, secretário de Comunicação da Presidência da República; André Freire da Silva, presidente da Associação Brasileira da Governança de Dados; e Octavio Penna Pieranti, conselheiro-diretor da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). 

Em sua manifestação, Bioni sustentou que a data escolhida não poderia ter sido melhor: se a proteção de dados pessoais se dirige à pessoa humana, nada mais adequado do que celebrar aquele que foi o grande artífice da LGPD. Comemora-se, com isso, não apenas o Dia Nacional, mas também a solidez e a robustez da arquitetura jurídica, regulatória e institucional erguida no país sobre privacidade e proteção de dados pessoais.

Temas que permanecem desafiadores, observou, já eram tratados por Doneda muito antes. É o caso da harmonização entre a Lei de Acesso à Informação e a LGPD, persistindo, ainda hoje, o recurso à proteção de dados para o trancafiamento autoritário de informações, inviabilizando o controle social de políticas públicas, matéria que a ANPD já vem encarando de forma estratégica. 

Outra contribuição recuperada é a de que o titular de dados não é homogêneo e carrega hipervulnerabilidades. A partir dessa chave, Bioni apontou o perfilamento, a vigilância e a hipervigilância de crianças e adolescentes nos espaços digitais, hoje convertidos em problema de adicção e de saúde pública, destacando a reação do Congresso Nacional com a aprovação do ECA Digital (Lei 15.211/2025) 

Diante desses desafios suscitados, Bioni remeteu à orientação deixada pelo professor para que a governança de dados seja pensada como um meio e não um fim em si mesmo, e assinalou outra marca do homenageado, entusiasta da costura entre regulação e política pública. 

Não se trata apenas de desenhar uma arquitetura jurídico-regulatória adequada, mas de constituir elemento de agência coletiva e soberania, conforme enuncia Bioni. Destaca, nesse ponto, a discussão em curso no Parlamento sobre o desenho e a aprovação da Política Nacional de Privacidade e Proteção de Dados Pessoais, na qual há a chance de prever o próprio Estado como indutor do mercado capaz de sustentar uma agenda positiva, e não meramente reativa.

No encerramento de sua fala e na esteira de Doneda, Bioni propõe que devemos “Olhar para a arquitetura jurídica, regulatória e institucional e se perguntar: estamos produzindo justiça e materializando um direito que não é elitista?”

Acesse a cobertura da sessão no portal do Senado Federal: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2026/08/10/senado-celebra-primeiro-dia-nacional-de-protecao-de-dados

Assista à Sessão completa, disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=k4bqRW3agB0